domingo, 6 de julho de 2014

“O modelo dos modelos”

No texto “O modelo dos modelos” de Italo Calvino, vimos que primeiro, devemos construir um modelo na mente, o mais perfeito, lógico, geométrico possível; segundo verificar se tal modelo se adapta aos casos práticos observáveis na experiência; terceiro proceder às correções necessárias para que modelo e realidade coincidam.

Diante disso, podemos ver que nem todos os modelos que nos são impostos são adequados para as situações que nos deparamos no dia a dia. Em se tratando de AEE (Atendimento Educacional Especializado), há muito o que se adaptar e corrigir, pois cada caso é um caso e precisa de adaptações necessárias para atender a realidade de cada pessoa, porque não existe um padrão único, a nossa realidade é mal padronizável e não homogeneizável.

sábado, 7 de junho de 2014

Atividade para aluno com TEA

SCALA (Sistema de Comunicação Alternativa para letramento de pessoas com autismo)

O Sistema SCALA foi desenvolvido, como recurso de apoio a processos inclusivos de pessoas. É um sistema de comunicação alternativo gratuito. Está disponível em duas versões: web (HTTP://scala.ufrgs.br/Scalaweb) e dispositivo móvel tablet android (download – HTTP://scala.ufrgs.br/). Possui um módulo para construção de pranchas de comunicação, e o módulo narrativas para construção de histórias.
Como construir frases através de imagens
Público Alvo: alunos com Autismo

Local onde será desenvolvida a atividade: Sala de Recursos Multifuncionais (AEE) e/ou Laboratório de Informática.


Descrição da atividade:
O professor irá mostrar ao aluno as imagens através de um monitor de vídeo, depois ele receberá a orientação para que formule oralmente as frases referentes a cada imagem, em seguida ele irá escrever as frases no caderno ou numa folha de sulfite.

Fonte:
http://www.catedu.es/arasaac/software.php?busqueda=basico&buscador=2&id_tipo_software=1

quarta-feira, 23 de abril de 2014

INFORMATIVO SURDOCEGUEIRA E DMU

Surdocegueira

A surdocegueira é uma deficiência única que o individuo apresenta ao mesmo tempo perda da visão e da audição, essa deficiência requer abordagem específica que possa favorecer a pessoa com deficiência, como também um sistema para dar o suporte necessário. A pessoa que apresenta essas duas limitações independentes do grau das perdas auditivas e visuais ela é considerada surdocega, a qual pode ser congênita ou adquirida.
A surdocegueira está dividida em duas categorias: Surdocegos Congênitos ou Surdocegos Adquiridos, as quais se subdividem em quatro categorias:
·         Pessoas que eram cegas e se tornaram surdas;
·         Pessoas que eram surdas e se tornaram cegas;
·         Pessoas que se tornaram surdocegas;
·         Pessoas que nasceram ou adquiriam a surdocegueira precocemente, ou seja, não tiveram a oportunidade de desenvolver linguagem, habilidades comunicativas ou cognitivas nem base conceitual sobre a qual possam construir uma compreensão de mundo.
Faz-se necessário a utilização de meios específicos para que as pessoas surdocegas possam ter acesso à educação, ao lazer, ao trabalho e a vida social. Precisamos conhecer as potencialidades e dificuldades de comunicação dessas pessoas surdocegas para podermos implementar medidas que atentem para facilitar o acesso à comunicação e informação, bem como a sua autonomia no dia a dia.
Para elaborar estratégias de aprendizagem para uma pessoa surdocega deve-se em primeiro lugar observar “o nível intelectual e educacional alcançado pela pessoa antes de adquirir a surdocegueira”. É preciso incentivar e ensinar a pessoa com surdocegueira como usar sua visão e audição residuais, assim como outros sentidos remanescentes, provendo-as de informações sensoriais necessárias que suscitem sua curiosidade.

Deficiência Múltipla

São consideradas pessoas com deficiência múltipla aquelas que “têm mais de uma deficiência associada. É uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações diversas de deficiências que afetam, mais ou menos intensamente, o funcionamento individual e o relacionamento social”. (MEC/SEESP, 2002).
A deficiência múltipla é caracterizada como o conjunto de duas ou mais deficiências associadas, de ordem física, sensorial, mental, emocional ou de comportamento social. Porém não é a junção dessas anomalias que caracterizam a múltipla deficiência. O que caracteriza a deficiência múltipla é o nível desenvolvimento, as possibilidades funcionais, de comunicação, interação social e de aprendizagem que determinam as necessidades educacionais dessas pessoas.
As pessoas com deficiência múltipla possuem comprometimentos acentuados no domínio cognitivo, associados a comprometimentos no domínio motor ou no domínio sensorial (visão ou audição). Essas pessoas precisam de apoio permanente, cuidados com a saúde específicos.
Segundo Nunes (2002), As necessidades básicas de pessoas com DMU, estão agrupadas em três blocos:

Necessidades físicas e médicas
·      Os movimentos voluntários são limitados em termos qualitativos e quantitativos;
·      Limitações sensoriais (visual e auditiva);
·      Convulsões;
·      Controle respiratório e pulmonar;
·      Problemas com deglutição e mastigação;
·      Saúde mais frágil com pouca resistência física.

Necessidades emocionais
·      Afeto;
·      Atenção;
·      Oportunidades de interagir com o meio e com o outro;
·      Desenvolver relações sociais e afetivas;
·      Estabelecer uma relação de confiança.

Necessidades educativas
·      Limitações no acesso ao ambiente;
·         Dificuldades em dirigir atenção para estímulos relevantes;
·         Dificuldades na interpretação da informação;
·         Dificuldades na generalização.


Devemos levar em consideração dois aspectos fundamentais para o planejamento de estratégias para o processo de aprendizagem das pessoas com DMU, como: a comunicação e o posicionamento. Essas estratégias de ensino devem respeitar a individualidade e a dignidade da pessoa com deficiência múltipla. Diante disso, podemos utilizar as seguintes estratégias: objetos de referência das atividades, caixas de antecipação, calendários, pistas de movimentos, pistas táteis e pista de contexto. A pessoa com DMU necessita de um ambiente reativo, isto é, que responda a suas iniciativas, o seu tempo de resposta deve ser respeitado, como também as habilidades de fazer escolhas, as quais devem estar dentro de suas atividades programadas.

Anexos:
Foto 1

Foto 2

Foto 3

Foto 4

Referências:


BOSCO, Ismênia C. M. G.; MESQUITA, Sandra R. S. H.; MAIA, Shirley R. Coletânea UFC-MEC/2010: A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar -Fascículo 05: Surdocegueira e Deficiência Múltipla (2010). Capítulo 1 - A pessoa com Surdocegueira. Capítulo 2 - A pessoa com Deficiência Múltipla. Capítulo 3 - Necessidades Específicas das Pessoas com Surdocegueira e com Deficiência Múltipla.

terça-feira, 11 de março de 2014

Educação Escolar de Pessoas com Surdez

Atendimento Educacional Especializado em Construção

Ao longo dos tempos o processo histórico das discussões relacionadas à educação das pessoas com surdez tem sido marcado por um embate político e epistemológico entre os gestualistas e oralistas em prol da educação das pessoas com surdez, responsabilizando o fracasso ou o sucesso escolar nas práticas pedagógicas específicas. No Brasil a nova política de Educação numa perspectiva de inclusão de todos, principalmente para pessoas com surdez, tem se tornado promissora no ambiente escolar e nas práticas sociais/institucionais. Damázio ressalta:

[...] Acreditamos na nova Política Nacional de Educação Especial, numa perspectiva inclusiva, e não coadunamos com essas concepções que dicotomizam as pessoas com ou sem deficiência, pois, antes de tudo, por mais que diferentes nós humanos sejamos, sempre nos igualamos na convivência, na experiência, nas relações, enfim, nas interações, por sermos humanos. (DAMÁZIO, 2007 P. 47).

O problema da educação das pessoas com surdez não pode ser centralizado nessa ou naquela língua, nós precisamos entender que o fracasso escolar destas pessoas, não está apenas nessa questão, mas também na qualidade e na eficiência das práticas pedagógicas. Diante disso precisamos realizar ações direcionadas para a educação na perspectiva inclusiva, mais claras e objetivas, para que, as práticas de ensino e aprendizagem na escola comum pública e também privada apresentem resultados positivos para a educação de pessoas com surdez.
Precisamos pensar e construir uma prática pedagógica voltada para atender as potencialidades das pessoas com surdez, com ambientes educacionais estimuladores que desafiem o pensamento e exercitem a capacidade perceptivo-cognitiva. Pois só assim haverá o desenvolvimento das potencialidades dessas pessoas com surdez, na escola. “Contudo precisamos nos afastar de ideias de unanimidade, de obviedade, de fragmentação, pois mergulhar na realidade é saber que estamos sempre incompletos, indefinidos, por sermos complexus, Morin (2001)”, e isso nos coloca na perspectiva do outro, cujos fios tecem infinitos sentidos de redes de conhecimentos nas quais sempre o ser humano, em especial, a pessoa com surdez, estará enredada.
Ao pensar a abordagem bilíngüe para a educação lingüística da pessoa com surdez, deslocamos o lugar especificamente lingüístico e a tratamos com outros contornos: a LIBRAS e a Língua Portuguesa, em suas variantes de uso padrão, ensinadas no âmbito escolar, devem ser tomadas em seus componentes histórico-cultural, textual, interacional e pragmático, além de seus aspectos formais, envolvendo a fonologia, morfologia, sintaxe, léxico e semântica.
Sendo assim entendemos que a perspectiva inclusiva rompe fronteiras, territórios, quebra preconceitos e procura dar ao ser humano com surdez, amplas possibilidades sociais e educacionais, porque são pessoas que pensam, raciocinam e que precisam, como as demais, de uma escola que explore suas capacidades, em todos os sentidos, oferecendo o Atendimento Educacional Especializado pois ele é imprescindível para o desenvolvimento do potencial e das capacidades das pessoas com surdez, o qual deve ocorrer em três momentos didático-pedagógicos (AEE em Libras na escola comum, AEE para o ensino de Libras na escola comum e AEE para o ensino da Língua Portuguesa).


REFERÊNCIA


DAMÁZIO, M. F. M.; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional Especializado em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010. p.46-57.