Atendimento Educacional Especializado em Construção
Ao longo dos tempos o processo
histórico das discussões relacionadas à educação das pessoas com surdez tem
sido marcado por um embate político e epistemológico entre os gestualistas e
oralistas em prol da educação das pessoas com surdez, responsabilizando o
fracasso ou o sucesso escolar nas práticas pedagógicas específicas. No Brasil a
nova política de Educação numa perspectiva de inclusão de todos, principalmente
para pessoas com surdez, tem se tornado promissora no ambiente escolar e nas
práticas sociais/institucionais. Damázio ressalta:
[...] Acreditamos na nova Política Nacional de Educação Especial, numa
perspectiva inclusiva, e não coadunamos com essas concepções que dicotomizam as
pessoas com ou sem deficiência, pois, antes de tudo, por mais que diferentes
nós humanos sejamos, sempre nos igualamos na convivência, na experiência, nas
relações, enfim, nas interações, por sermos humanos. (DAMÁZIO, 2007 P. 47).
O problema da educação das pessoas
com surdez não pode ser centralizado nessa ou naquela língua, nós precisamos
entender que o fracasso escolar destas pessoas, não está apenas nessa questão,
mas também na qualidade e na eficiência das práticas pedagógicas. Diante disso
precisamos realizar ações direcionadas para a educação na perspectiva inclusiva,
mais claras e objetivas, para que, as práticas de ensino e aprendizagem na
escola comum pública e também privada apresentem resultados positivos para a
educação de pessoas com surdez.
Precisamos pensar e construir uma
prática pedagógica voltada para atender as potencialidades das pessoas com
surdez, com ambientes educacionais estimuladores que desafiem o pensamento e
exercitem a capacidade perceptivo-cognitiva. Pois só assim haverá o
desenvolvimento das potencialidades dessas pessoas com surdez, na escola. “Contudo
precisamos nos afastar de ideias de unanimidade, de obviedade, de fragmentação,
pois mergulhar na realidade é saber que estamos sempre incompletos,
indefinidos, por sermos complexus, Morin (2001)”, e isso nos coloca na
perspectiva do outro, cujos fios tecem infinitos sentidos de redes de
conhecimentos nas quais sempre o ser humano, em especial, a pessoa com surdez,
estará enredada.
Ao pensar a abordagem bilíngüe para a
educação lingüística da pessoa com surdez, deslocamos o lugar especificamente
lingüístico e a tratamos com outros contornos: a LIBRAS e a Língua Portuguesa,
em suas variantes de uso padrão, ensinadas no âmbito escolar, devem ser tomadas
em seus componentes histórico-cultural, textual, interacional e pragmático,
além de seus aspectos formais, envolvendo a fonologia, morfologia, sintaxe,
léxico e semântica.
Sendo assim entendemos que a
perspectiva inclusiva rompe fronteiras, territórios, quebra preconceitos e
procura dar ao ser humano com surdez, amplas possibilidades sociais e
educacionais, porque são pessoas que pensam, raciocinam e que precisam, como as
demais, de uma escola que explore suas capacidades, em todos os sentidos,
oferecendo o Atendimento Educacional Especializado pois ele é imprescindível
para o desenvolvimento do potencial e das capacidades das pessoas com surdez, o
qual deve ocorrer em três momentos didático-pedagógicos (AEE em Libras na
escola comum, AEE para o ensino de Libras na escola comum e AEE para o ensino
da Língua Portuguesa).
REFERÊNCIA
DAMÁZIO, M. F.
M.; FERREIRA, J. Educação Escolar de Pessoas com Surdez-Atendimento Educacional
Especializado em Construção. Revista Inclusão: Brasília: MEC, V.5, 2010.
p.46-57.
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